Wednesday, April 19, 2006
Voltando às dez mil e uma medidas que o Forum Lx entregou à CML, destaco o desacordo que expressam pelo futuro parque de estacionamento no Mercado do Chão do Loureiro. Começam por dizer que o terreno é instável, logo, poderá ser arriscada a construção do parque, enquanto que na Rua de S. Julião já não é. Ora, se nesta rua, situada em plena Baixa plana, sustentada sobre estacas de madeira, num edifício sem o "miolo pombalino", tão importante que é, pelas suas propriedades anti-sísmicas, é possível um parque, porque não será possível no Mercado do Chão do Loureiro, em que há muito menos riscos? Não é só por uma questão de servir directamente os meus interesses, uma vez que moro a um minuto do dito Mercado, mas é mais pela "escandaleira" de proporem a...argh...DEMOLIÇÃO deste, para dar lugar a um lindo jardim florido, qual futuro parque de estacionamento de excrementos de Pitbull. Juízo!
Thursday, November 17, 2005
De volta
Depois de tanta baldice cá estou de volta. Passou o Verão, enfim, passou muita coisa, desde o meu último comentário. A casade Campolide está à venda, a da Baixa vai ser habitada, fiquei colocado no Sobral de Monte Agraço, tenho um Presidente da Escola que é um atrasado mental de primeira, ... Sons, tenho ouvido muitos. O meu mais recente espanto foi ter ouvido o disco dos Arcade Fire, uma autêntica obra-prima. No metal, saúdo o regresso dos Obituary, que estão mais demolidores do que nunca. Na nightlife, destaco o Mercado, que é um clube espantoso, com umas camareras muito hot e, pena minha, com um chão de pseudo granito horroroso´. Ninguém nem nada é perfeito. O curso de Personal Trainer que estou a tirar é uma tentativa minha de fugi desse sistema porco e nojento que é o Ensino. Vamos ver...Como a vida tem corrido a um ritmo mais alucinante do que eu desejaria fico-me por aqui. Secamente.............
Tuesday, July 05, 2005
Eu vi os Nine Inch Nails ao vivo
Já estou com os ânimos bastante mais arrefecidos. Se tivesse escrito isto na quinta-feira dia 30, teria sido um descalabro de emoções. É melhor assim. Poble Nou, uma zona fantástica de Barcelona em que predominam edifícios de arquitectura industrial. Não podia haver melhor coincidência entre um sítio com o qual me identifico arquitectonicamente e uma banda que eu amo intensamente. Ainda por cima o industrialismo está para o Poble Nou como o rock industrial para os Nine Inch Nails. Perfeito. Vestido a rigor, com a t-shirt de NIN comprada em Londres, saia e botas, tudo em preto, claro. O Razzmatazz foi o ponto de encontro de todos os fãs. Fantástico o espaço. Falta disso cá em Lisboa. Encontrei portugueses, cinco, além de mim. O Pedro foi o companheiro deste testemunho inesquecível. Depois do Saul Williams ter terminado a sua respeitável actuação (gostei daquele dark hip-hop) , começaram a vir os nervos. No intervalo antes do prato principal ouvi, Joy Division, entre outras bandas que eu gosto e que faziam sentido naquele momento. Só me lembrava dos meus amigos em Portugal que adoram NIN como eu. Quando chegaram as 22h senti cada vez mais ansiedade, com o coração aos pulos. Vislumbrei o Jeordie White (Twiggy Ramirez) e, de repente, as luzes apagaram-se! 22h04: Não aguentei, os tipos começaram a entrar e a tensão cada vez maior. Começámos a ouvir a "Pinion", como é costume, vi o Trent e chorei. Foi forte demais. Depois da pieguice veio o agitanço. Pela batida adivinhei que fosse a "Wish". Era mesmo! "This is the first day of my last days!" Deve ter sido o início de concerto mais mítico de sempre. Apetecia-me drogar com este momento o resto da minha vida. Descarreguei tanta raiva e acumulei tanta felicidade. Foi um arrepio! Dá jeito agitar-me com a saia! Liguei logo para o Filipe. Ele não atendeu. Depois, como qualquer fã de uma banda, era espanto atrás de espanto com o desfile de canções que conhecia perfeitamente. Na "Sin" liguei outra vez ao Filipe e ele atendeu. Era a primeira prenda da noite. Quem me dera que tivesses estado ali. Fui-me apercebendo que o Trent Reznor é do tipo do Jonathan Davis dos Korn, ou dos Zack de La Rocha, quando estava nos Rage Agaisnt The Machine. Despeja, sem dizer nada. É assim que eu gosto. Na "March Of The Pigs" liguei para o Sebastião, outro imprescindível que mereceu esta dádiva, que foi uma prenda de anos atrasada. As canções do "Fragile" deram cabo de mim. A "Frail", seguida da "The Wretched" esmagaram-me. O calor da sala também. Era uma sauna insuportável. Pareceu-me que a organização tinha desligado de propósito o ar condicionado para o pessoal beber mais. Indecência insuficiente para acabar com o meu êxtase. Era tudo demasiado perfeito. Todas as minhas emoções, toda a minha vida concentrada naquele momento. Liguei à Carla durante a "Something I Can Never Have". Ela não atendeu. Tentaria depois. Aproveitei e liguei à Dörte, que já tinha visto os NIN, a sortuda. Ensopava-me de suor cada vez mais. Só faltava, o azeite, o alho, a pimenta e as ervas aromáticas para ir ao forno. Começou a "Closer" e liguei à Carlinha. Era esta música que eu queria que ouvisses. Sei que é um bocado atrevida a letra, mas era para entrar contigo. Não me podia esquecer do Diogo e liguei-lhe na "The Hand That Feeds", com o telemóvel apontado ao Jeordie, ou Twiggy, como o Diogo gosta que ele seja conhecido. Também merecias esta prenda. Tentei ligar à Xana mas ela não atendeu. Depois conto-te como foi. Momento fortíssimo, pois claro, a "Hurt", a tal que eu quero que me toquem quando morrer. É a canção da minha vida, ex--aequo, com a "Meglomania", dos Black Sabbath. Só mesmo a moleza da desidratação esmoreceu as minhas emoções. "Terrible Lie", "Reptile", "Love Is Not Enough"e eis que chegámos à "Starfuckers Inc.". Foi a última, imaginem. 23h31: Não tocaram a "Head Like a Hole". Dá para perceber. Os NIN e nós estávamos exaustos. Fica para a próxima. Foi perfeito. Se tivessem tocado teria sido perfeito na mesma. Nem mais nem menos, porque simplesmente foi infinitamente perfeito este dia, um dos mais felizes da minha vida. Posso morrer descansado.
Monday, May 30, 2005
Rockalhadas
Estou estoirado, mas é um estoiranço de satisfação. O Super Rock deste ano teve grandes concertos. Do primeiro dia destaco os System Of A Down que, apesar de não terem estado a cem por cento, deram um grande concerto. Pena os putos que estavam lá à frente a apertar o pessoal. Não curtiam nem deixavam curtir. É esta a maneira de se divertirem num concerto? Nem mosh houve, como devem imaginar. Só foi bom, porque com tanto apertanço lá consegui estalar as costas umas quantas vezes. A grande surpresa foi, sem dúvida o concerto dos Prodigy. Tem piada que eu e o Alexandre achávamos que não ia valer a pena irmos para a frente, por pensarmos que o Keith e o Leroy não iam actuar (julgava eu que eles já não faziam parte da banda). Quando os vimos entrar nem hesitámos, fomos logo para a frente. Nem queria acreditar. Quando eles arrancaram nunca mais pararam. Nem eu. A certa altura, no meio daquela mistela orgânico-electrónica, lembrava-me do Ministry. Que power! Eu sei que pareço um redactor de uma revista de metal a escrever, mas acreditem, foi fenomenal, aquela energia. E o estilo? O mais à frente possível. Todos de preto, com o Leroy de cara pintada, com uma risca branca horizontal no olhos e, imaginem, com uma saia cheia de alfinetes. Afinal tenho razão, ele e eu. Saias ao poder! O Keith estava com uma camisa que fazia conjunto com umas calças e que tinha umas riscas tipo Adidas, com um lobo nas costas. Muito, mas mesmo muito impressionante. Também conta a aparência e eles sabem. As poses, as caretas, a assunção de serem rockstars e o caganço para as demagogias que pregam a estratégica simplicidade daquele tipo de artistas com ar miserável e uma conta bancária astronómica. E volto a repetir, a pujança daquele som! "Breathe", "Poison", "Firestarter"! Quando começou a "Smack My Bitch Up" foi o descalabro!
Segundo dia: Rock´n´rollada a abrir dos Turbonegro, na melhor tradição Alice Cooper. Pena que tivesse tão pouca gente nessa altura. Depois, muito depois, New Order que, ao contrário do que eu pensava, tocaram três (!) canções de Joy Division: "Transmission", "She´s Lost Control" e..."Love Will Tear Us Apart"! Engraçado que a variedade de sons faz-me lembrar a diversidade das bandas que eu gosto. Passavam temas mais rock e temas mais electrónicos. Eu e os New Order temos isso em comum. Diversificamos. Moby, claro, controla sempre tudo. Grande actuação, com alguns devaneios do tipo tocar Led Zeppelin ou dizer às pessoas que ia tocar Johnny Cash, enquanto se resolviam problemas técnicos. E o discurso? Muito génio, muita inteligência, no melhor estilo Manhattan.
Último dia. Só vi quinze minutos dos Mastodon, mas foi o suficiente para me pasmar com a originalidade daquele som pesado que não consigo definir com precisão. Se calhar é mesmo de propósito. São mesmo bons. Slayer foi espantoso. Grande treino, ali no meio da moshada. Adorei. A velocidade a que o Lombardo tocava na "Angel Of Death". Os putos que não so conheciam ficaram espantados. É importante, isto, gostar do que é novo e do que já foi criado há mais tempo. Melhor concerto do festival: Iggy And The Stooges. Não há palavras. O Iggy Pop é a maior besta, no sentido animalesco, do rock. Ele está para durar. Devem manter o tipo em ambar e descongelam-no de cada vez que ele actua. Lindo: Rock´n´roll do mais puro e daquele tipo de rock que manda tudo para todos os sítios. Audioslave a tocar Soundgarden e Rage. Demais, com o rest que eles têm de bom do seu repertório. Valeu. Se não falei das outras bandas é porque não me interessaram. Até ao próximo. Vou comprar o "Raw Power" dos Stooges.
Segundo dia: Rock´n´rollada a abrir dos Turbonegro, na melhor tradição Alice Cooper. Pena que tivesse tão pouca gente nessa altura. Depois, muito depois, New Order que, ao contrário do que eu pensava, tocaram três (!) canções de Joy Division: "Transmission", "She´s Lost Control" e..."Love Will Tear Us Apart"! Engraçado que a variedade de sons faz-me lembrar a diversidade das bandas que eu gosto. Passavam temas mais rock e temas mais electrónicos. Eu e os New Order temos isso em comum. Diversificamos. Moby, claro, controla sempre tudo. Grande actuação, com alguns devaneios do tipo tocar Led Zeppelin ou dizer às pessoas que ia tocar Johnny Cash, enquanto se resolviam problemas técnicos. E o discurso? Muito génio, muita inteligência, no melhor estilo Manhattan.
Último dia. Só vi quinze minutos dos Mastodon, mas foi o suficiente para me pasmar com a originalidade daquele som pesado que não consigo definir com precisão. Se calhar é mesmo de propósito. São mesmo bons. Slayer foi espantoso. Grande treino, ali no meio da moshada. Adorei. A velocidade a que o Lombardo tocava na "Angel Of Death". Os putos que não so conheciam ficaram espantados. É importante, isto, gostar do que é novo e do que já foi criado há mais tempo. Melhor concerto do festival: Iggy And The Stooges. Não há palavras. O Iggy Pop é a maior besta, no sentido animalesco, do rock. Ele está para durar. Devem manter o tipo em ambar e descongelam-no de cada vez que ele actua. Lindo: Rock´n´roll do mais puro e daquele tipo de rock que manda tudo para todos os sítios. Audioslave a tocar Soundgarden e Rage. Demais, com o rest que eles têm de bom do seu repertório. Valeu. Se não falei das outras bandas é porque não me interessaram. Até ao próximo. Vou comprar o "Raw Power" dos Stooges.
Wednesday, May 11, 2005
De dentes bem cerrados
Como já fiz ver pelos textos anteriores, não quero fazer deste blogue uma catarse de emoções mais ou menos paranóicas, se bem que a minha devoção aos Nine Inch Nails esteja próxima da paranóia. Quem conhece o Trent Reznor, mentor deste projecto, sabe que um álbum dos NIN é tão raro como um cometa. Foram precisos seis anos para que desse à luz o sucessor do álbum da minha vida "Fragile", de 1999. Essa longa espera é um benefício para o Trent - que faz uso da sua criatividade, alheio a imperativos editoriais, visto ter a sua própria editora - e para os seguidores do seu trabalho, que ficam sempre com uma expectativa acrescida daquilo que possa acontecer, por a espera ser mais longa do que o normal. Leram bem, o "Fragile" marcou-me imenso, pela excelência de todas (!) as canções e por me ter ajudado num período difícil da minha vida. O Papa Bento XVI não ia gostar de ler isto, por eu estar a prestar homenagem a um ídolo contemporâneo, mas não é a maior ou menor contemporaneidade de alguém que invalida a nossa devoção. Prefiro dizer que venero o Trent Reznor na pessoa de músico dos Nine Inch Nails, é o projecto que eu venero, portanto. Agora que já falei do "Fragile" e da minha adoração pelos NIN, coisa que nunca tinha dito, por não ter um blogue na altura em que tudo isso surgiu, já posso falar do novo álbum "With Teeth". É incrível como é que se consegue manter a fasquia altíssima, pelo que eu já ouvi, eu, que nem sequer sou daqueles que ouve o mesmo disco todos os dias. Na semana passada foi assim, para que eu deixasse entrar em mim mensagens de lamento, raiva, exaltação e inconformismo, acrescidas, imaginem os conhecedores, de ternura, esperança e...luz! Os NIN estão diferentes, talves pela meia-idade que o Trent atingiu. Há serenidade, contrabalançada com restos de animosidade do passado, do tipo daqueles últimos vómitos que nos fazem arder a garganta, mas que nos deixam aliviados. Por muita luminosidade e calma que haja no "With Teeth, a essência mantém-se, ou seja, continuamos a ter canções que são autênticas idas à sauna (ou seja, calmas), seguidas dos consequentes duches de água fria (a abrir e a rasgar). 29 de Junho vai ser o dia em que os vou ver ao vivo, em Barcelona, depois do misto de satisfação e frustração que senti quando os ouvi do lado de fora do Astoria, em Londres.
Faço-vos o convite, vão a uma loja de discos e ouçam o disco, ou então vão ao site www.nin.com e encantem-se com o universo espantoso dos Nine Inch Nails, de dentes bem cerrados, pois claro.
Faço-vos o convite, vão a uma loja de discos e ouçam o disco, ou então vão ao site www.nin.com e encantem-se com o universo espantoso dos Nine Inch Nails, de dentes bem cerrados, pois claro.
Tuesday, April 05, 2005
London rules
Não me espantou o que vi em Londres na semana passada. Já lá tinha estado, mas de "raspão", em Dezembro de 99, depois de ter visto em Birmingham o "line-up" original dos grandes Black Sabbath. Não deu para sentir a coisa. Agora deu. Desde que eu e o Leonel entrámos no comboio do aeroporto de Gatwick até Victoria Station fomos brindados com uma simpatia alheia que se manteve durante a nossa estadia. Em nenhuma circunstância houve arrogância, cinzentismo, snobismo e xenofobia. Abertura, muita abertura de espírito, openmindedness, como eles dizem. Cinzento é o tempo e ainda assim apanhámos com sol Sexta e Sábado. Pensem lá numa coisa, tugas. Temos muito sol, é verdade, mas somos mais felizes por isso? Não, somos uns tristes, temos a mania que somos bons, falamos mal dos sítios com turistas, que dizemos serem turísiticos e agora até já chamamos estrangeirada aos estrangeiros que nos visitam ou, pior ainda, como dizia o outro parafascista, turistas de pé descalço. Imaginem o que eles nos chamariam se tivessem a nossa perspectiva. Talvez descalços de pé turístico, não acham?
O dia é celebrado como deve ser. A cidade, ou melhor a metrópole tem uma energia inesgotável, não pára, a coisa. São mais de dez milhões e não é por causa disso que são mais frios entre si, apenas e somente distinguem-se de nós, porque não são cuscos. Como disse o "grande chefe": "No dia em que conheceres um vizinho ele fala contigo e depois já não quer saber de ti". Isto é, não se mete na tua vida, subentendeu ele. A ideia de que o objectivo do trabalho é o lazer é perfeitamente perceptível pelo ar daqueles yuppies da City e de Canary Wharf que, por mais cinzentos que sejam, celebram na hora do after work o ócio merecido. À noite, têm os limites sociológicos bem definidos; além da fererida franja social, o chamado pessoal do old money (além de old é money, ou seja, têm-no mesmo) anda mais pela zona oeste, como Notting Hill, Chelsea ou, mais ao centro, West End; freaks mais ou menos rock´n´punk´n´metal circulam por Camden ou Brixton; gays sofisticados e pastilheiros em Vauxhall; gays menos sofisticados, mainstreamers, bimbos e turistas engrupidos no Soho, pessoas cool, sofisticadas e contra a corrente e à frente de tudo em Shoreditch e Hoxton. Cada macaco no seu galho e cada galho no seu macaco. Não se vê o excessivo cosmopolitismo do Bairro Alto e do Lux que atraem, em termos equivalentes, gajos de Chelsea e de Notting Hill cá do sítio, armados em alternativos, com muito menos money do que os homólogos e mais cagança, como se compreende. Já em Madrid era a mesma história, Salamanca e Castellana para uns, Chueca e La Latina para outros.
Acontece tudo, desde encontrarmos músicos famosos a anónimos que instantaneamente começam a falar connosco, sem qualquer problema. É isto que é ser openminded. Tudo floresece naturalmente, as oportunidades surgem, o que é mau para os que gostam de mim e estão a pensar que eventualmente me vou pirar da minha linda e desaproveitada Lisboa, e bom para os que não admitem o que eu referi.
Digo eu que devemos viver onde nos sentimos bem, por isso Londres, pelo menos na Europa, é a cidade onde eu deveria viver. Vou-me já embora.
O dia é celebrado como deve ser. A cidade, ou melhor a metrópole tem uma energia inesgotável, não pára, a coisa. São mais de dez milhões e não é por causa disso que são mais frios entre si, apenas e somente distinguem-se de nós, porque não são cuscos. Como disse o "grande chefe": "No dia em que conheceres um vizinho ele fala contigo e depois já não quer saber de ti". Isto é, não se mete na tua vida, subentendeu ele. A ideia de que o objectivo do trabalho é o lazer é perfeitamente perceptível pelo ar daqueles yuppies da City e de Canary Wharf que, por mais cinzentos que sejam, celebram na hora do after work o ócio merecido. À noite, têm os limites sociológicos bem definidos; além da fererida franja social, o chamado pessoal do old money (além de old é money, ou seja, têm-no mesmo) anda mais pela zona oeste, como Notting Hill, Chelsea ou, mais ao centro, West End; freaks mais ou menos rock´n´punk´n´metal circulam por Camden ou Brixton; gays sofisticados e pastilheiros em Vauxhall; gays menos sofisticados, mainstreamers, bimbos e turistas engrupidos no Soho, pessoas cool, sofisticadas e contra a corrente e à frente de tudo em Shoreditch e Hoxton. Cada macaco no seu galho e cada galho no seu macaco. Não se vê o excessivo cosmopolitismo do Bairro Alto e do Lux que atraem, em termos equivalentes, gajos de Chelsea e de Notting Hill cá do sítio, armados em alternativos, com muito menos money do que os homólogos e mais cagança, como se compreende. Já em Madrid era a mesma história, Salamanca e Castellana para uns, Chueca e La Latina para outros.
Acontece tudo, desde encontrarmos músicos famosos a anónimos que instantaneamente começam a falar connosco, sem qualquer problema. É isto que é ser openminded. Tudo floresece naturalmente, as oportunidades surgem, o que é mau para os que gostam de mim e estão a pensar que eventualmente me vou pirar da minha linda e desaproveitada Lisboa, e bom para os que não admitem o que eu referi.
Digo eu que devemos viver onde nos sentimos bem, por isso Londres, pelo menos na Europa, é a cidade onde eu deveria viver. Vou-me já embora.
Wednesday, March 23, 2005
Referendo à vista
Hoje soube-se que o Governo vai avançar com o referendo sobre a despenalização do aborto antes do Verão. Espero que nessa altura, tendo em conta a seca que houve no Inverno, não esteja tempo excessivamente bom, que faça com que só votem os beatos, porque os outros foram para a praia. Está claro que este é um momento de viragem na nossa sociedade, depois da pseudo social-democracia precedente ter demonstrado que é a mais reaccionária da Europa e não ter feito nada em relação a este aspecto. Falta ainda uma tomada de posição em relação aos casamentos entre gays, a adopção de crianças por gays e a legalização das drogas leves, vulgo equiparação de um charro a um cigarro de nicotina. Quem me conhece sabe que não estou grávido, não sou gay nem fumo charros. Só sou solidário com estas situações a bem de respeitar a liberdade dos que as enfrentam e as assumem. A mim não me prejudicam, antes fazem-me feliz, por serem felizes dessa forma. Vá lá pessoal, inaugurem os vossos comentários.
Apresentações
Este blog é supostamente representativo de tudo aquilo que se passa no meu mundo, focando todas as minhas vivências bem ou mal passadas, com especial referência aos inevitáveis bitaites sobre o que se passa na nossa sociedade. Pessoas que amem a vida são bem-vindas, bem como as que amem música, cinema, política, sexo, amor, viagens, gastronomia, design, vida nocturna, vida diurna, desporto e coisas que não tenha referido que achem que goste, com base nas referências anteriores. O que prevalece neste blog é a vontade de me exercitar e fazer exercitar os outros mentalmente, com muita, mas mesmo muita abertura de espírito. Sou porreiro, eu. Acho que vão gostar.
