London rules
Não me espantou o que vi em Londres na semana passada. Já lá tinha estado, mas de "raspão", em Dezembro de 99, depois de ter visto em Birmingham o "line-up" original dos grandes Black Sabbath. Não deu para sentir a coisa. Agora deu. Desde que eu e o Leonel entrámos no comboio do aeroporto de Gatwick até Victoria Station fomos brindados com uma simpatia alheia que se manteve durante a nossa estadia. Em nenhuma circunstância houve arrogância, cinzentismo, snobismo e xenofobia. Abertura, muita abertura de espírito, openmindedness, como eles dizem. Cinzento é o tempo e ainda assim apanhámos com sol Sexta e Sábado. Pensem lá numa coisa, tugas. Temos muito sol, é verdade, mas somos mais felizes por isso? Não, somos uns tristes, temos a mania que somos bons, falamos mal dos sítios com turistas, que dizemos serem turísiticos e agora até já chamamos estrangeirada aos estrangeiros que nos visitam ou, pior ainda, como dizia o outro parafascista, turistas de pé descalço. Imaginem o que eles nos chamariam se tivessem a nossa perspectiva. Talvez descalços de pé turístico, não acham?
O dia é celebrado como deve ser. A cidade, ou melhor a metrópole tem uma energia inesgotável, não pára, a coisa. São mais de dez milhões e não é por causa disso que são mais frios entre si, apenas e somente distinguem-se de nós, porque não são cuscos. Como disse o "grande chefe": "No dia em que conheceres um vizinho ele fala contigo e depois já não quer saber de ti". Isto é, não se mete na tua vida, subentendeu ele. A ideia de que o objectivo do trabalho é o lazer é perfeitamente perceptível pelo ar daqueles yuppies da City e de Canary Wharf que, por mais cinzentos que sejam, celebram na hora do after work o ócio merecido. À noite, têm os limites sociológicos bem definidos; além da fererida franja social, o chamado pessoal do old money (além de old é money, ou seja, têm-no mesmo) anda mais pela zona oeste, como Notting Hill, Chelsea ou, mais ao centro, West End; freaks mais ou menos rock´n´punk´n´metal circulam por Camden ou Brixton; gays sofisticados e pastilheiros em Vauxhall; gays menos sofisticados, mainstreamers, bimbos e turistas engrupidos no Soho, pessoas cool, sofisticadas e contra a corrente e à frente de tudo em Shoreditch e Hoxton. Cada macaco no seu galho e cada galho no seu macaco. Não se vê o excessivo cosmopolitismo do Bairro Alto e do Lux que atraem, em termos equivalentes, gajos de Chelsea e de Notting Hill cá do sítio, armados em alternativos, com muito menos money do que os homólogos e mais cagança, como se compreende. Já em Madrid era a mesma história, Salamanca e Castellana para uns, Chueca e La Latina para outros.
Acontece tudo, desde encontrarmos músicos famosos a anónimos que instantaneamente começam a falar connosco, sem qualquer problema. É isto que é ser openminded. Tudo floresece naturalmente, as oportunidades surgem, o que é mau para os que gostam de mim e estão a pensar que eventualmente me vou pirar da minha linda e desaproveitada Lisboa, e bom para os que não admitem o que eu referi.
Digo eu que devemos viver onde nos sentimos bem, por isso Londres, pelo menos na Europa, é a cidade onde eu deveria viver. Vou-me já embora.
O dia é celebrado como deve ser. A cidade, ou melhor a metrópole tem uma energia inesgotável, não pára, a coisa. São mais de dez milhões e não é por causa disso que são mais frios entre si, apenas e somente distinguem-se de nós, porque não são cuscos. Como disse o "grande chefe": "No dia em que conheceres um vizinho ele fala contigo e depois já não quer saber de ti". Isto é, não se mete na tua vida, subentendeu ele. A ideia de que o objectivo do trabalho é o lazer é perfeitamente perceptível pelo ar daqueles yuppies da City e de Canary Wharf que, por mais cinzentos que sejam, celebram na hora do after work o ócio merecido. À noite, têm os limites sociológicos bem definidos; além da fererida franja social, o chamado pessoal do old money (além de old é money, ou seja, têm-no mesmo) anda mais pela zona oeste, como Notting Hill, Chelsea ou, mais ao centro, West End; freaks mais ou menos rock´n´punk´n´metal circulam por Camden ou Brixton; gays sofisticados e pastilheiros em Vauxhall; gays menos sofisticados, mainstreamers, bimbos e turistas engrupidos no Soho, pessoas cool, sofisticadas e contra a corrente e à frente de tudo em Shoreditch e Hoxton. Cada macaco no seu galho e cada galho no seu macaco. Não se vê o excessivo cosmopolitismo do Bairro Alto e do Lux que atraem, em termos equivalentes, gajos de Chelsea e de Notting Hill cá do sítio, armados em alternativos, com muito menos money do que os homólogos e mais cagança, como se compreende. Já em Madrid era a mesma história, Salamanca e Castellana para uns, Chueca e La Latina para outros.
Acontece tudo, desde encontrarmos músicos famosos a anónimos que instantaneamente começam a falar connosco, sem qualquer problema. É isto que é ser openminded. Tudo floresece naturalmente, as oportunidades surgem, o que é mau para os que gostam de mim e estão a pensar que eventualmente me vou pirar da minha linda e desaproveitada Lisboa, e bom para os que não admitem o que eu referi.
Digo eu que devemos viver onde nos sentimos bem, por isso Londres, pelo menos na Europa, é a cidade onde eu deveria viver. Vou-me já embora.

2 Comments:
descalços de pé turístico poderá tornar-se uma óptima punch line.
cumprimentos.
gostei do teu blog.
e muito do som ;)
continua!
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