De dentes bem cerrados
Como já fiz ver pelos textos anteriores, não quero fazer deste blogue uma catarse de emoções mais ou menos paranóicas, se bem que a minha devoção aos Nine Inch Nails esteja próxima da paranóia. Quem conhece o Trent Reznor, mentor deste projecto, sabe que um álbum dos NIN é tão raro como um cometa. Foram precisos seis anos para que desse à luz o sucessor do álbum da minha vida "Fragile", de 1999. Essa longa espera é um benefício para o Trent - que faz uso da sua criatividade, alheio a imperativos editoriais, visto ter a sua própria editora - e para os seguidores do seu trabalho, que ficam sempre com uma expectativa acrescida daquilo que possa acontecer, por a espera ser mais longa do que o normal. Leram bem, o "Fragile" marcou-me imenso, pela excelência de todas (!) as canções e por me ter ajudado num período difícil da minha vida. O Papa Bento XVI não ia gostar de ler isto, por eu estar a prestar homenagem a um ídolo contemporâneo, mas não é a maior ou menor contemporaneidade de alguém que invalida a nossa devoção. Prefiro dizer que venero o Trent Reznor na pessoa de músico dos Nine Inch Nails, é o projecto que eu venero, portanto. Agora que já falei do "Fragile" e da minha adoração pelos NIN, coisa que nunca tinha dito, por não ter um blogue na altura em que tudo isso surgiu, já posso falar do novo álbum "With Teeth". É incrível como é que se consegue manter a fasquia altíssima, pelo que eu já ouvi, eu, que nem sequer sou daqueles que ouve o mesmo disco todos os dias. Na semana passada foi assim, para que eu deixasse entrar em mim mensagens de lamento, raiva, exaltação e inconformismo, acrescidas, imaginem os conhecedores, de ternura, esperança e...luz! Os NIN estão diferentes, talves pela meia-idade que o Trent atingiu. Há serenidade, contrabalançada com restos de animosidade do passado, do tipo daqueles últimos vómitos que nos fazem arder a garganta, mas que nos deixam aliviados. Por muita luminosidade e calma que haja no "With Teeth, a essência mantém-se, ou seja, continuamos a ter canções que são autênticas idas à sauna (ou seja, calmas), seguidas dos consequentes duches de água fria (a abrir e a rasgar). 29 de Junho vai ser o dia em que os vou ver ao vivo, em Barcelona, depois do misto de satisfação e frustração que senti quando os ouvi do lado de fora do Astoria, em Londres.
Faço-vos o convite, vão a uma loja de discos e ouçam o disco, ou então vão ao site www.nin.com e encantem-se com o universo espantoso dos Nine Inch Nails, de dentes bem cerrados, pois claro.
Faço-vos o convite, vão a uma loja de discos e ouçam o disco, ou então vão ao site www.nin.com e encantem-se com o universo espantoso dos Nine Inch Nails, de dentes bem cerrados, pois claro.

1 Comments:
Tenta ir ver hoje os Gang Gang Dance à Galeria Zé dos Bois. Ou amanhã, sexta-feira, os Jackie-O-Motherfucker.
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